Línguas estrangeiras para surdos

O receio de usar tecnologias atuais em sala de aula pode ser um risco a ser tomado em situações em que computadores, tablets e celulares poderiam ajudar. No ensino de surdos os aparelhos tendem a auxiliar mais do que atrapalhar. Ensinar uma língua estrangeira a pessoas surdas requer mais que livros didáticos e exercícios de repetição. Imagens, vídeos e legendas são importantes para a compreensão quando não se pode depender da audição.

O uso dessas tecnologias em sala de aula pode ser mais interativo, pois nesse caso não cabem métodos muito tradicionais, pois não seriam eficientes em muitos casos. Principalmente se o aluno tiver a língua de sinais como primeira língua. Em uma mesma sala de aula pode ter uma diversidade de alunos, como ouvintes, surdos que se comunicam também pela fala como por sinais, ou só por sinais. Acaba sendo um desafio para o professor descobrir como acomodar dificuldades diferentes.

Tecnologias podem ajudar nessas situações, mesmo que não deva existir, por enquanto, muitos aplicativos e sites que auxiliem o aprendizado de surdos. É uma área que deveria crescer muito com as possibilidades que computadores, tablets e smartphones permitem. No mundo globalizado atual é importante que se saiba línguas estrangeiras por inúmeros motivos e com certeza não são apenas pessoas ouvintes que têm (ou deveriam ter) os meios de aprendê-las.

Talitha

Sotaques e preconceito linguístico

Os sotaques sempre foram divididos em valorizados e não valorizados. Sejam os regionais, dos falantes de uma mesma língua, mas moradores de partes diferentes da nação. Sejam os “gringos”, de pessoas que falam uma língua estrangeira ou uma segunda língua.

O sotaque do interior paulista é tratado como sotaque de caipira e menosprezado, enquanto o sotaque carioca já foi até considerado o oficial do português do Brasil. Essas divisões causam não só ridicularização, como também perpetuam ideias de hierarquias sociais. É claro que a valorização de um sotaque está diretamente ligada com o poder social, ou até econômico, de seu falante.

Vemos isso não só na diferenciação entre o sotaque carioca e o da zona rural, mas também quando um estrangeiro fala uma língua. Um brasileiro, ou indiano, falando inglês não tem a mesma recepção que um francês ou alemão. E isso fica ainda mais forte quando esse falante não tem a língua como língua estrangeira, mas sim como segunda língua.

O espaço da sala de aula sempre vai ser heterogênio, assim como sempre vai ser hostil. A diversidade é sempre acompanhada do estranhamento. Por tanto, cabe ao professor mediar e erradicar esse tipo de preconceito nas aulas de língua. Na aula de língua materna é preciso reconhecer todas as variedades da mesma, tornando-as válidas. Na aula de língua estrangeira é preciso fazer o mesmo e deixar claro que nenhuma língua é totalmente pura, em todas há diversidade. No caso de alunos bilíngues a questão pode ser tratada na própria aula de língua materna, mostrando que o bilinguismo existe e é um fenômeno que deve ser reconhecido e valorizado, não encarado como poluição da língua. Dessa forma, o preconceito linguístico é desconstruído e junto com ele preconceitos sociais e a xenofobia também.

Mais do que ensinar a língua, cabe ao professor reconhecê-la e tratá-la como detentora de diversidades.

 

bilingual

Prática situada e movimentos pedagógicos do GNL

A partir das ideias do Grupo da Nova Londres, é possível também pensar numa pedagogia voltada para o ensino de língua portuguesa como uma língua estrangeira. Dessa maneira é preciso e importante levar em consideração o grande número de intercambistas bem como a heterogeinidade presente no espaço pedagógico. Como Rojo (2012) aponta, o contexto de multiletramento apresenta princípios “de pluralidade cultural e de diversidade de linguagem” que devem ser levados em conta, quando se trata numa pedagogia efetiva, e serve, também, para o ensino de língua estrangeira a meu ver.

Os movimentos pedagógicos propostos pelo Grupo da Nova Londres cabem bem ao cenário do PLE, porque também se espera de um aluno de língua estrangeira as competências relacionadas ao letramento crítico e à prática transformadora, no que se concerne a produzir e, sobretudo, a compreender, produzir significação, ou seja, se tornar um usuário funcional e letrado. Diante disso, parece que tal pedagogia propõe inserir o usuário num mundo conhecido e compartilhado, o que pode ser uma boa tática quando se fala de ensino de língua estrangeira.

O texto de Rojo (2012) e outros durante a disciplina me despertou a importância da prática situada para o ensino de LE. Acredito que somente pelo contexto o usuário (i) compreenderá o know-how, (ii) sistematizará o tipo de texto ao qual está sendo inserido, (iii) interpretará o próprio contexto, e (iv) saberá entender, produzir e repassar o que lhe é exposto.

Paulo Ângelo

Uso situado e apreensão linguística

Fazer uso da escrita de algum gênero textual para apreensão de uma língua é uma proposta muito válida e eficaz. Isso, porque é a partir do uso da língua, uso dos gêneros, que o falante se apropria e entende como, quando, e onde usar tais estruturas linguísticas. Pensando na língua como prática social, é importante que o “adquiridor” da língua 2 trabalhe para alcançar o uso situado de determinado gênero. Tal prática o leva a compreender a forma textual, enriquecer vocabulário, conhecer os meios pelos quais tais textos circulam, entre outro.

Aqui, trago uma charge que ilustra a necessidade da prática do uso situado, considerando o sintoma médico como sendo um gênero, em que o paciente diz o que sente, e, posteriormente, o médico aponta o diagnóstico. O contexto da charge se dá no momento em que o Governo Federal brasileiro propõe trazer brasileiros estrangeiros para trabalhar no SUS.

A partir dessa leitura, é possível depreender, de maneira geral, que há uma necessidade de que o médico, a partir da cultura em que está inserido, busque, entenda e aproprie do conjunto de informações sobre tal povo. Assim, ele será capaz de, a partir do uso situado, identificar determinadas palavras usadas naquele gênero, novamente se exposição de sintoma médico for um, para dessa forma, fazer um diagnóstico.

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(Fonte da imagem: retirado de http://www.ivancabral.com/2013/08/charge-do-dia-medicos-estrangeiros.html acessado em 19/10/2015.)

Paulo Ângelo

A diversidade dentro da sala de aula

A Gramática Prescritiva da Língua Portuguesa nada mais é que uma receita para fazer “bom uso” do português. Ensinar a língua materna a partir dessa perspectiva é abandonar as variações (sejam elas temporais ou regionais) do idioma. O mesmo se aplica ao ensino de Língua Estrangeira, pois é preciso expor e valorizar todas as formas em que a língua aparece, deixando de focar somente nas valorizadas.

Mas não é só a variação da língua que deve ser levada em conta na hora de ensinar, a heterogeneidade do alunado também é de grande influência. A diversidade aparecer tanto no contexto (social, econômico e cultural) dos alunos, como nos níveis de aprendizado em que eles estão.

Reconhecer a diversidade dentro da sala de aula é o primeiro passo para construir uma pedagogia eficaz. Primeiro, porque a partir de um diagnóstico sobre os níveis de proficiência dos alunos é possível criar um ponto de partida que contemple a todos, equilibrando o ambiente de ensino, sem deixar ninguém para trás e nem “atrasar” os que já estão em níveis mais avançados. Segundo, porque a cultura do aluno pode ser de grande auxílio, pois, a partir dela, é possível conhecer mais sobre o contexto do aluno e seus gostos. Isso pode ser útil na hora de usar uma abordagem mais pessoal no ensino, para lidar melhor com dificuldades particulares.

Não há um método de ensino de línguas totalmente eficaz, como expõe Micolli (2013), por isso, é papel do professor adaptar os métodos existentes ao seu público alvo e à sua ideia do que deve ser ensinado. É claro que essa não é uma tarefa fácil, pois há todo um sistema educacional ao qual estão todos acostumados. Mas é clara a necessidade de explorar novas abordagens e perspectivas, para se obter um ensino mais democrático e eficaz.

Suzy Rocha

O ensino de língua estrangeira e a variação linguística

O recorte para essa reflexão é a abordagem da variação linguística, principalmente no que diz respeito à variedade regional e à variação do grau de formalidade, no ensino de  PLE.

Pensando sob a perspectiva da reflexividade, onde a diversidade é valorizada, me pergunto onde a variação linguística se encaixa no ensino de língua.

Aprendi a língua inglesa em uma grande rede de escola de inglês, onde a metodologia de ensino é padronizada. Ocasionalmente tínhamos exemplares de variação linguística regional, mas eram sempre gravações de estúdio e caricaturizadas, não exemplos reais. Assim também era o nosso contato com o uso da língua em diferentes graus de formalidade.

Diante da minha vivência como aluna de língua estrangeira e do curso de Letras, me pergunto a importância e como se dá essa abordagem no ensino do português como língua estrangeira.

É fato que o português no Brasil é de uma imensa variedade, principalmente no que diz respeito à variedade regional e do grau de formalidade. A variedade do português falada por um carioca certamente divergirá da variedade falada por um gaúcho. O mesmo se dá em relação aos contextos de uso: a variedade usada em um ambiente acadêmico não será a mesma usada em um ambiente mais descontraído, como em uma reunião de amigos.

Penso que no ensino de PLE, a abordagem dessa diversidade não deve se restringir ao campo linguístico, embora, é claro, isso seja de suma importância para que o aluno possa transitar por diferentes esferas sociais. É,no entanto, imprescíndivel discutir sobre a importância social da escolha linguística que o aluno fará, já que é fato o prestígio de certas variedades sobre outras.

Os quadrinhos do Chico Bento trazem uma variedade linguística popularmente chamada de “caipira”. A variedade é retratada de maneira caricaturizada.

“Nesse Capão Redondo, frio sem sentimento
Os manos é sofrido e fuma um sem dar guela
É o estilo favela e o respeito por ela
Os moleque tem instinto e ninguém amarela
Os coxinha cresce o zóio na função e gela”
Da ponte pra cá, Racionais Mc’s

Fonte: http://letras.com/racionais-mcs/64144/

Na letra dos Racionais temos exemplos reais de uso da variedade linguística falada no grupo social dos compositores.

Camila Lourenço

Anotações Texto I – Metodologia do Ensino de Línguas (Vilson J. Leffa)

Distinções entre os termos:

  1. Abordagem (mais abrangente, engloba pressupostos teóricos) e método (tem uma abrangência mais restrita e pode estar contido em uma abordagem, trata da aplicação dos pressupostos).
  2. Aprendizagem (desenvolvimento formal e consciente da língua) e aquisição (desenvolvimento informal e espontâneo da língua).
  3. Segunda língua ( a língua estudada é usada na comunidade – um brasileiro estudando inglês na Inglaterra) e Língua Estrangeira (a língua não é usada na comunidade – um brasileiro estudando inglês no Brasil).

AGT (A Abordagem da Gramática e da Tradução)

  • Consiste no ensino da segunda língua pela primeira;
  • A ênfase está na forma escrita da língua;
  • Pouca ou nenhuma atenção é dada para pronúncia ou entonação.

AD (A Abordagem Direta)

  • Consiste no ensino da segunda língua através da segunda língua;
  • Jamais recorre à tradução, o aluno deve aprender a “pensar na língua”;
  • A ênfase está na língua oral e na integração das quatro habilidades (ouvir, falar, ler e escrever);

Obs.: a AD é mais defendida/apreciada pelos metodólogos, porém a AGT é mais empregada pelos professores na prática.

AL (A abordagem para a leitura)

  • O objetivo era, obviamente, desenvolver a habilidade da leitura;
  • O desenvolvimento do vocabulário era essencial;
  • Predominavam os exercícios escritos.

AAL (A abordagem audiolingual)

  • É a reação dos próprios americanos contra a AL;
  • AS premissas que sustentam o método foram reformuladas, sendo elas: língua é fala, não escrita; língua é um conjunto de hábitos; ensine a língua, não sobre a língua; as línguas são diferentes.

Há outras abordagens. Entretanto, a solução proposta é a do ecleticismo inteligente, incorporar o novo ao antigo, uma forma de mesclar as abordagens baseada nas experiências em sala de aula.

Amanda Bastos

Ensinar Português para Estrangeiros

Falar português, assim como qualquer outro idioma, é ter a possibilidade de me comunicar e de expressar meus próprios pensamentos e opiniões no código de uma determinada cultura. Como moro no Brasil, falar português é essencial para que eu possa me inserir na comunidade local e ter um papel ativo nela. Aprendi a língua aos nove anos, ao chegar no Brasil. Como ingressei numa escola americana, meu contato com o português se limitava ao dia-a-dia fora da escola. Consegui aprender em dois meses através de revistas em quadrinhos e programas de televisão. No ano seguinte, passei a estudar em um colégio brasileiro sem maiores dificuldades.

Imagino o desafio que o desconhecimento da língua seja para alunos estrangeiros que chegam à Unicamp. Com certeza encontram dificuldades iniciais, uma vez que não só não falam a língua local, como também desconhecem a cultura e hábitos da nova comunidade da qual farão parte durante seus estudos. Falar o português é essencial, não só para se inserirem no meio acadêmico, mas também para comunicarem as suas necessidades mais básicas.

Antes de abordar a metodologia que eu usaria para ensinar português a estes estrangeiros, gostaria de ressaltar que muito além de lhes ensinar a língua, eu os aconselharia a se integrarem à comunidade local procurando interagir com os brasileiros da forma mais intensiva possível.

Eu sugeriria inicialmente que estes estrangeiros evitem conviver extensivamente com falantes de sua língua nativa – uma zona de conforto onde podem se expressar – e partam em busca de situações e ambientes onde terão que, necessariamente, falar com brasileiros. Isso os ajudará a aplicar o que aprenderam em sala de aula e a desenvolver uma compreensão do comportamento social e linguístico desta nova sociedade mais rapidamente.

No quesito de desenvolvimento de competências comunicativas no português brasileiro, eu usaria a abordagem comunicativa como um enquadre geral e, dentro desta, varias técnicas de diferentes metodologias que se mostram bastante eficazes.

Usando materiais didáticos encontrados no mercado, eu conduziria as aulas interagindo oralmente com os alunos na língua alvo sem traduções, e faria grande uso de materiais de áudio situacionais e exercícios escritos para sistematizar os conhecimentos explorados.

Um trabalho focado na aquisição de estruturas sintáticas elementares e também do léxico é um modo seguro de conseguir resultados rápidos e consistentes. A familiarização com a fonologia do português brasileiro também é parte essencial desta primeira etapa, uma vez que a familiarização com os sons da língua e a identificação correta da pronúncia de palavras é crucial para uma aprendizagem precisa e integral.

Ursula Chirinian