Desenvolvimento do tema no PLE

Na aula dessa semana, durante o seminário de um grupo que apresentou o texto “Multiletramentos, gênero e PLE” (Santos e Baumvol, 2012) , surgiu uma discussão sobre a abordagem do tema na produção escrita.

A atividade proposta no texto do seminário pedia que os alunos se posicionassem a favor ou contra a certo tema, como por exemplo, as cotas. Diante disso, surgiu uma discussão sobre a relevância do questionamento desse posicionamento. Ou seja, não só apresentar argumentos contra a cota, mas o que significa ser contra cotas, o que isso implica no cenário atual do Brasil.

Nunca em minha vida escolar (tanto no ensino regular, quanto na escola de idiomas) esse questionamento foi trazido à tona. E acredito que isso seja muito importante. Passei uma temporada na Inglaterra e o que percebi foi que, por melhor que fosse o desempenho do estrangeiro na língua inglesa, ainda havia um distanciamento entre ele e os nativos.

Acho que esse exercício de pensar sobre o seu posicionamento ajuda o aluno a entender o contexto social, econômico e político do país e, desse modo, ele pode situar-se com maior propriedade no cotidiano. O que talvez possa ajudar a diminuir esse distanciamento que senti em minha experiência. É como se o aluno estivesse quebrando uma barreira linguística, atingindo uma camada mais profunda de tudo o que envolve o idioma.

Camila

O ensino de língua estrangeira e a variação linguística

O recorte para essa reflexão é a abordagem da variação linguística, principalmente no que diz respeito à variedade regional e à variação do grau de formalidade, no ensino de  PLE.

Pensando sob a perspectiva da reflexividade, onde a diversidade é valorizada, me pergunto onde a variação linguística se encaixa no ensino de língua.

Aprendi a língua inglesa em uma grande rede de escola de inglês, onde a metodologia de ensino é padronizada. Ocasionalmente tínhamos exemplares de variação linguística regional, mas eram sempre gravações de estúdio e caricaturizadas, não exemplos reais. Assim também era o nosso contato com o uso da língua em diferentes graus de formalidade.

Diante da minha vivência como aluna de língua estrangeira e do curso de Letras, me pergunto a importância e como se dá essa abordagem no ensino do português como língua estrangeira.

É fato que o português no Brasil é de uma imensa variedade, principalmente no que diz respeito à variedade regional e do grau de formalidade. A variedade do português falada por um carioca certamente divergirá da variedade falada por um gaúcho. O mesmo se dá em relação aos contextos de uso: a variedade usada em um ambiente acadêmico não será a mesma usada em um ambiente mais descontraído, como em uma reunião de amigos.

Penso que no ensino de PLE, a abordagem dessa diversidade não deve se restringir ao campo linguístico, embora, é claro, isso seja de suma importância para que o aluno possa transitar por diferentes esferas sociais. É,no entanto, imprescíndivel discutir sobre a importância social da escolha linguística que o aluno fará, já que é fato o prestígio de certas variedades sobre outras.

Os quadrinhos do Chico Bento trazem uma variedade linguística popularmente chamada de “caipira”. A variedade é retratada de maneira caricaturizada.

“Nesse Capão Redondo, frio sem sentimento
Os manos é sofrido e fuma um sem dar guela
É o estilo favela e o respeito por ela
Os moleque tem instinto e ninguém amarela
Os coxinha cresce o zóio na função e gela”
Da ponte pra cá, Racionais Mc’s

Fonte: http://letras.com/racionais-mcs/64144/

Na letra dos Racionais temos exemplos reais de uso da variedade linguística falada no grupo social dos compositores.

Camila Lourenço