Desenvolvimento do tema no PLE

Na aula dessa semana, durante o seminário de um grupo que apresentou o texto “Multiletramentos, gênero e PLE” (Santos e Baumvol, 2012) , surgiu uma discussão sobre a abordagem do tema na produção escrita.

A atividade proposta no texto do seminário pedia que os alunos se posicionassem a favor ou contra a certo tema, como por exemplo, as cotas. Diante disso, surgiu uma discussão sobre a relevância do questionamento desse posicionamento. Ou seja, não só apresentar argumentos contra a cota, mas o que significa ser contra cotas, o que isso implica no cenário atual do Brasil.

Nunca em minha vida escolar (tanto no ensino regular, quanto na escola de idiomas) esse questionamento foi trazido à tona. E acredito que isso seja muito importante. Passei uma temporada na Inglaterra e o que percebi foi que, por melhor que fosse o desempenho do estrangeiro na língua inglesa, ainda havia um distanciamento entre ele e os nativos.

Acho que esse exercício de pensar sobre o seu posicionamento ajuda o aluno a entender o contexto social, econômico e político do país e, desse modo, ele pode situar-se com maior propriedade no cotidiano. O que talvez possa ajudar a diminuir esse distanciamento que senti em minha experiência. É como se o aluno estivesse quebrando uma barreira linguística, atingindo uma camada mais profunda de tudo o que envolve o idioma.

Camila

Uso situado e apreensão linguística

Fazer uso da escrita de algum gênero textual para apreensão de uma língua é uma proposta muito válida e eficaz. Isso, porque é a partir do uso da língua, uso dos gêneros, que o falante se apropria e entende como, quando, e onde usar tais estruturas linguísticas. Pensando na língua como prática social, é importante que o “adquiridor” da língua 2 trabalhe para alcançar o uso situado de determinado gênero. Tal prática o leva a compreender a forma textual, enriquecer vocabulário, conhecer os meios pelos quais tais textos circulam, entre outro.

Aqui, trago uma charge que ilustra a necessidade da prática do uso situado, considerando o sintoma médico como sendo um gênero, em que o paciente diz o que sente, e, posteriormente, o médico aponta o diagnóstico. O contexto da charge se dá no momento em que o Governo Federal brasileiro propõe trazer brasileiros estrangeiros para trabalhar no SUS.

A partir dessa leitura, é possível depreender, de maneira geral, que há uma necessidade de que o médico, a partir da cultura em que está inserido, busque, entenda e aproprie do conjunto de informações sobre tal povo. Assim, ele será capaz de, a partir do uso situado, identificar determinadas palavras usadas naquele gênero, novamente se exposição de sintoma médico for um, para dessa forma, fazer um diagnóstico.

Charge2013-medicos_estrangeiros-728072

(Fonte da imagem: retirado de http://www.ivancabral.com/2013/08/charge-do-dia-medicos-estrangeiros.html acessado em 19/10/2015.)

Paulo Ângelo

Diversidade em materiais didáticos

Ao comparar diferentes materiais didáticos de língua estrangeira, vê-se que o ensino de uma língua não precisa se prender a simples exercícios de completar ou de tradução. Abordar a linguagem como letramento, em vez de comunicação, usa de textos para introduzir temas a serem debatidos pelos estudantes durante toda a unidade, não apenas como pretexto para os exercícios gramaticais.

Um problema de muitos materiais didáticos é mostrar uma realidade que nem todo estudante se identifica. O foco do material ser ensinar uma língua estrangeira não o impede de ter diversidade nos textos, imagens e até mesmo nas atividades. Muitas vezes os exercícios desses livros acabam reforçando preconceitos  presentes na sociedade. Um dos livros de ensino de inglês visto em aula tinha uma atividade em que o aluno deveria apontar e discutir os diferentes tipos de família.

O debate de temas sociais são tão importantes no cenário de ensino de língua estrangeira quanto no ensino comum. Diversidade de gênero, etnia, econômica etc. é um ponto a favor de se ter em materiais didáticos, pois é uma forma de deixar os alunos interessados e incluídos, aproximando-se da sua realidade em pelo menos algum aspecto.

Talitha do Prado