O ensino de língua estrangeira e a variação linguística

O recorte para essa reflexão é a abordagem da variação linguística, principalmente no que diz respeito à variedade regional e à variação do grau de formalidade, no ensino de  PLE.

Pensando sob a perspectiva da reflexividade, onde a diversidade é valorizada, me pergunto onde a variação linguística se encaixa no ensino de língua.

Aprendi a língua inglesa em uma grande rede de escola de inglês, onde a metodologia de ensino é padronizada. Ocasionalmente tínhamos exemplares de variação linguística regional, mas eram sempre gravações de estúdio e caricaturizadas, não exemplos reais. Assim também era o nosso contato com o uso da língua em diferentes graus de formalidade.

Diante da minha vivência como aluna de língua estrangeira e do curso de Letras, me pergunto a importância e como se dá essa abordagem no ensino do português como língua estrangeira.

É fato que o português no Brasil é de uma imensa variedade, principalmente no que diz respeito à variedade regional e do grau de formalidade. A variedade do português falada por um carioca certamente divergirá da variedade falada por um gaúcho. O mesmo se dá em relação aos contextos de uso: a variedade usada em um ambiente acadêmico não será a mesma usada em um ambiente mais descontraído, como em uma reunião de amigos.

Penso que no ensino de PLE, a abordagem dessa diversidade não deve se restringir ao campo linguístico, embora, é claro, isso seja de suma importância para que o aluno possa transitar por diferentes esferas sociais. É,no entanto, imprescíndivel discutir sobre a importância social da escolha linguística que o aluno fará, já que é fato o prestígio de certas variedades sobre outras.

Os quadrinhos do Chico Bento trazem uma variedade linguística popularmente chamada de “caipira”. A variedade é retratada de maneira caricaturizada.

“Nesse Capão Redondo, frio sem sentimento
Os manos é sofrido e fuma um sem dar guela
É o estilo favela e o respeito por ela
Os moleque tem instinto e ninguém amarela
Os coxinha cresce o zóio na função e gela”
Da ponte pra cá, Racionais Mc’s

Fonte: http://letras.com/racionais-mcs/64144/

Na letra dos Racionais temos exemplos reais de uso da variedade linguística falada no grupo social dos compositores.

Camila Lourenço

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Anotações Texto I – Metodologia do Ensino de Línguas (Vilson J. Leffa)

Distinções entre os termos:

  1. Abordagem (mais abrangente, engloba pressupostos teóricos) e método (tem uma abrangência mais restrita e pode estar contido em uma abordagem, trata da aplicação dos pressupostos).
  2. Aprendizagem (desenvolvimento formal e consciente da língua) e aquisição (desenvolvimento informal e espontâneo da língua).
  3. Segunda língua ( a língua estudada é usada na comunidade – um brasileiro estudando inglês na Inglaterra) e Língua Estrangeira (a língua não é usada na comunidade – um brasileiro estudando inglês no Brasil).

AGT (A Abordagem da Gramática e da Tradução)

  • Consiste no ensino da segunda língua pela primeira;
  • A ênfase está na forma escrita da língua;
  • Pouca ou nenhuma atenção é dada para pronúncia ou entonação.

AD (A Abordagem Direta)

  • Consiste no ensino da segunda língua através da segunda língua;
  • Jamais recorre à tradução, o aluno deve aprender a “pensar na língua”;
  • A ênfase está na língua oral e na integração das quatro habilidades (ouvir, falar, ler e escrever);

Obs.: a AD é mais defendida/apreciada pelos metodólogos, porém a AGT é mais empregada pelos professores na prática.

AL (A abordagem para a leitura)

  • O objetivo era, obviamente, desenvolver a habilidade da leitura;
  • O desenvolvimento do vocabulário era essencial;
  • Predominavam os exercícios escritos.

AAL (A abordagem audiolingual)

  • É a reação dos próprios americanos contra a AL;
  • AS premissas que sustentam o método foram reformuladas, sendo elas: língua é fala, não escrita; língua é um conjunto de hábitos; ensine a língua, não sobre a língua; as línguas são diferentes.

Há outras abordagens. Entretanto, a solução proposta é a do ecleticismo inteligente, incorporar o novo ao antigo, uma forma de mesclar as abordagens baseada nas experiências em sala de aula.

Amanda Bastos

Ensinar Português para Estrangeiros

Falar português, assim como qualquer outro idioma, é ter a possibilidade de me comunicar e de expressar meus próprios pensamentos e opiniões no código de uma determinada cultura. Como moro no Brasil, falar português é essencial para que eu possa me inserir na comunidade local e ter um papel ativo nela. Aprendi a língua aos nove anos, ao chegar no Brasil. Como ingressei numa escola americana, meu contato com o português se limitava ao dia-a-dia fora da escola. Consegui aprender em dois meses através de revistas em quadrinhos e programas de televisão. No ano seguinte, passei a estudar em um colégio brasileiro sem maiores dificuldades.

Imagino o desafio que o desconhecimento da língua seja para alunos estrangeiros que chegam à Unicamp. Com certeza encontram dificuldades iniciais, uma vez que não só não falam a língua local, como também desconhecem a cultura e hábitos da nova comunidade da qual farão parte durante seus estudos. Falar o português é essencial, não só para se inserirem no meio acadêmico, mas também para comunicarem as suas necessidades mais básicas.

Antes de abordar a metodologia que eu usaria para ensinar português a estes estrangeiros, gostaria de ressaltar que muito além de lhes ensinar a língua, eu os aconselharia a se integrarem à comunidade local procurando interagir com os brasileiros da forma mais intensiva possível.

Eu sugeriria inicialmente que estes estrangeiros evitem conviver extensivamente com falantes de sua língua nativa – uma zona de conforto onde podem se expressar – e partam em busca de situações e ambientes onde terão que, necessariamente, falar com brasileiros. Isso os ajudará a aplicar o que aprenderam em sala de aula e a desenvolver uma compreensão do comportamento social e linguístico desta nova sociedade mais rapidamente.

No quesito de desenvolvimento de competências comunicativas no português brasileiro, eu usaria a abordagem comunicativa como um enquadre geral e, dentro desta, varias técnicas de diferentes metodologias que se mostram bastante eficazes.

Usando materiais didáticos encontrados no mercado, eu conduziria as aulas interagindo oralmente com os alunos na língua alvo sem traduções, e faria grande uso de materiais de áudio situacionais e exercícios escritos para sistematizar os conhecimentos explorados.

Um trabalho focado na aquisição de estruturas sintáticas elementares e também do léxico é um modo seguro de conseguir resultados rápidos e consistentes. A familiarização com a fonologia do português brasileiro também é parte essencial desta primeira etapa, uma vez que a familiarização com os sons da língua e a identificação correta da pronúncia de palavras é crucial para uma aprendizagem precisa e integral.

Ursula Chirinian